Reflexões sobre a verdade da beleza

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Relfexos da beleza

A beleza sempre foi um assunto muito explorado pelos escritores, inspirador de lindos poemas, tema de músicas, propósito da vida de muitos e fonte de dor para tantos mais. E pela sua significante presença em nossas vidas, mesmo quando supostamente inexiste, é de difícil limitação do que de fato vem a ser.

Numa época em que o juízo do gosto está obscurecido pelos filtros digitais, em que há um contraste tão elevado entre o que somos e o que postamos, em que cada vez mais mergulhamos na alienação, bombardeados por exigências do consumo, reprimidos por conceitos políticos e culturais que tentam subjugar as várias formas de existir (por simplesmente não saber lidar com elas), é justificável que haja uma onda de negação ou superestimação a beleza. Pois se não nos enquadramos, fugimos. Se superestimamos, tememos.

Na pesquisa para escrever esse texto, me deparei com a seguinte frase de Jonh keats, filósofo grego: “Beleza é verdade, verdade é beleza – isto é tudo O que conheceis sobre a Terra, e é tudo o que precisais conhecer”. Pensei cá comigo, que esse sujeito nem bonito deveria ser, e sobre se realmente a beleza é assim tão importante, já questionando se teria Vinicius de Moraes mesmo razão quanto a afirmação de que “Beleza é fundamental”.

Esses meus questionamentos tem origem no fato de que banalizamos o conceito de beleza. Associamos, erroneamente, beleza a características físicas especificas. Sendo que é algo muito mais profundo.

Beleza é unidade, conformidade, harmonia. Quando contemplamos uma bela paisagem, nos encantamos com o resultado das interações da vida ali existente. Nós também somos natureza. Há um mundo de interações aqui dentro. Precisamos olhar para o outro e para nós mesmas, não sob o viés do desejo que muitas vezes nos deixa míopes, e sim pelo viés da contemplação. Precisamos observar que as relações estão sendo tão doloridas por que muitas vezes a nossa imagem não condiz com nossa essência, e podemos ter todos os atributos físicos desejáveis, mas se não cultivarmos a beleza da alma teremos sempre a sensação de vazio.

E por fim precisamos entender que o juízo estético não pode ser delegado, A beleza é sentida, assim como o amor. Não podemos ficar igual baratas tontas correndo atrás de cada procedimento estético, roupa, cosmético que nos digam que é essencial. Tudo isso é meio, ferramenta, não fim. É Tendência, não obrigação. É preciso identificar o que viabiliza de forma harmônica a nossa expressão de beleza no mundo. E contemplar a expressão de beleza alheia sem se parametrizar por ela. Nenhum corpo é capaz de encarcerar toda beleza do mundo, posso ser de todo belo e ainda assim toda beleza não será somente minha.

Termino concordando com Keats: Beleza é verdade, verdade é beleza!

Texto por Tamara Maria.

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