Paranoia…

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…um monstrinho faminto que nos consome de dentro pra fora.

Gente querida, preciso avisar-lhes que os textos aqui serão em tom de intimidade, por que só escrevo o que sinto, o que sei, ou imagino. E por aqui ainda há muito o que evoluir, então preparem-se para histórias, as vezes, constrangedoras. Esse aviso é necessário porque o caso que conterei é, digamos, um tanto inusitado.

Meu intestino não é adepto da regularidade, tem dias que ele funciona, mas em muitos outros dias, não. Em um desses dias que ele resolveu comparecer, após terminar, dei aquela olhada técnica para a privada. Percebi alguns fios brancos destacados no meu cocô. Eca! Pensei ser verme, e fui logo me consultar com o senhor Google. Essa é seguramente a pior coisa a se fazer, pois o google não tem muita consideração pelo nosso psicológico. De verme a doenças terminais, tudo apareceu. Daí que comecei a imaginar-me doente, minha disposição caiu, me sentia angustiada. Isso porque os fios brancos continuava a aparecer quando eu ia ao banheiro. Após deixar esse monstrinho crescer na minha cabeça, resolvi dizer a minha irmã que ia marcar uma consulta, e ela perguntou o que eu estava sentindo, e falei a ela o que vinha acontecendo. Daí que ela começou a rir de mim, e mostrou o que realmente eram os fios. Minha escova de lavar o sanitário estava tão velha e ressecada que todos os fios estavam caindo, eu distraída demais, só percebia que eles estavam lá, quando grudavam no cocô.

Essa é uma história bobinha, e até engraçada, mas me fez refletir sobre como deixamos alguns fatos conduzirem nossa mente para um estado de angústia, e em vez de analisar com cuidado, sensatez, começamos a alimentar o monstrinho da paranoia, e esse por sua vez começa a consumir a nossa capacidade de enxergar as coisas como elas realmente são.

Quem nunca teve a mente sequestrada por um medo, uma certeza, uma angustia e depois percebeu, que na verdade se tratava apenas da nossa astuta imaginação, que atire a primeira pedra. Só que essa capacidade de concluir a partir de sinais, de perceber inclinações, de imaginar cenários, são habilidades que nos ajudam muito no dia a dia. Porém é interessante treinar a percepção para discernir quando o perigo é real ou imaginado.

Pedir apoio a pessoas queridas, questionar as próprias certezas, abandonar preconceitos nocivos, buscar clareza, ajuda profissional quando for necessário, são todas atitudes que podem tornar a vida mais leve e menos angustiante.

Texto por Tamara Araújo. 

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